Principais fatos
Texto de análise do Poder360 sustenta que a KPMG (balanço até dezembro de 2024) e a PwC (que assumiu a auditoria em 2025) deram chancela a demonstrações que incluíam R$ 19,5 bilhões em cotas de fundos avaliadas por modelos internos; que o balanço do 1º semestre de 2025 nunca foi publicado, porque a liquidação veio antes; e que R$ 6,7 bilhões em consignados seriam fictícios, originados pela consultoria Tirreno, com amostra do BC de 30 CPFs sem valor recebido.
Detalhes da evidência
- Fato
- 2025
- Fonte
- 4 auditorias deram OK para os balanços do Master e da Reag — Poder360 (texto especial) (Marcio Aith), 25 jan. 2026
- Acesso
- Íntegra examinada pelo projeto
- Consulta
- 17 out. 2026
- Limites
- Texto opinativo assinado. O valor de R$ 19,5 bilhões em fundos e a ênfase da KPMG são confirmados no parecer (evidência de documento). Já os R$ 6,7 bilhões em consignados fictícios e a amostra de 30 CPFs vêm de reportagem do Poder360 de 23/12/2025, não aberta; a Pública diz que a PF afirma ter sido a Tirreno criada por Vorcaro e ter vendido créditos ao BRB. Alegação não demonstrada em decisão. Resposta de Vorcaro não localizada. PwC não tem registro neste conjunto.
- Citados
- KPMG Auditores Independentes Ltda., Banco Master, Tirreno (consultoria), Banco Central
- Estado
- Documentado
A Agência Pública relata que, segundo a PF, a Tirreno seria empresa de fachada criada por Vorcaro que vendeu créditos ao BRB (R$ 12,2 bilhões), e que o BRB comprou carteiras de crédito inexistentes do Master desde julho de 2024, negócios que chegaram a R$ 12 bilhões segundo a PF.
Detalhes da evidência
- Fato
- jul. 2024
- Fonte
- Banco Master: a reconstrução completa de como uma fraude capturou a República — Agência Pública (Thiago Domenici), 9 mar. 2026
- Acesso
- Íntegra examinada pelo projeto
- Consulta
- 17 out. 2026
- Limites
- Alegação da PF, relatada por imprensa; relatórios não examinados. R$ 12,2 bilhões (operações com indícios de fraude, segundo a PF) são parte dos cerca de R$ 16,7 bilhões repassados pelo BRB ao grupo entre julho de 2024 e outubro de 2025 (Brasil de Fato); os números têm naturezas distintas e não podem ser somados. A cadeia decisória é matéria da frente F03.
- Confirmam
- Preso, Vorcaro depõe à PF nesta quinta (15) sobre negócios entre Banco Master e BRB
- Citados
- Tirreno (consultoria), Banco Master, BRB - Banco de Brasília S.A., Daniel Vorcaro, Polícia Federal
- Estado
- Documentado
O relatório da PF reproduz resultado de auditoria do BC sobre as carteiras da Tirreno ('empresa de fachada controlada pela Cartos', segundo a PF) e conclui que as carteiras cedidas ao BRB eram inexistentes ('Nenhum crédito sequer pode ser confirmado'). Do total de R$ 12,2 bi em CCBs do Master adquiridas pelo BRB, R$ 4,05 bi foram comprados depois de questionamentos do BC sobre a originadora dos créditos. O BRB assinou TAC com o BC em 10/02/2025.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. (set. 2026): A Cartos nega ter originado, estruturado, comercializado, intermediado ou cedido créditos ligados ao caso e diz nunca ter mantido relação com a Tirreno.
Detalhes da evidência
- Fato
- 2025
- Fonte
- 'Nenhum crédito sequer pode ser confirmado', diz PF sobre Master e BRB — Poder360, 11 set. 2026
- Acesso
- Trecho examinado pelo projeto
- Consulta
- 17 out. 2026
- Limites
- Alegação da PF, não decisão judicial. O próprio Poder360 ressalva que o documento do BC não afirma expressamente que a conclusão abrange todos os R$ 12,2 bi. A matéria não traz datas das compras nem o objeto do TAC.
- Citados
- BRB - Banco de Brasília S.A., Banco Master, Tirreno (consultoria), Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A., Banco Central, Polícia Federal
- Estado
- Revisado
Segundo relatório confidencial do grupo de trabalho do BRB (concluído em 19/05/2025), entre 24/12/2024 e 24/04/2025 o Master assinou 26 contratos com a Tirreno que somam R$ 6,347 bi em preços de compra e vendeu essas carteiras ao BRB por R$ 11,530 bi.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Detalhes da evidência
- Fato
- 24 dez. 2024 a 24 abr. 2025
- Fonte
- Como grupo de trabalho descobriu que BRB era passado para trás pelo Master — Metrópoles (coluna de Demetrio Vecchioli) (Demetrio Vecchioli), out. 2026
- Acesso
- Trecho examinado pelo projeto
- Consulta
- 17 out. 2026
- Limites
- Documento interno do BRB não examinado. Valores de venda ao BRB são contratados/cedidos; a reportagem não afirma quanto foi efetivamente pago nem liquidado. Diferença de R$ 5,18 bi entre compra pelo Master e venda ao BRB e cálculo do projeto sobre os dois números da matéria; a matéria não a chama de prêmio.
- Citados
- BRB - Banco de Brasília S.A., Banco Master, Tirreno (consultoria)
- Estado
- Documentado
Outras evidências que citam esta entidade
Segundo o mesmo relatório, o GT do BRB foi formado em 26/02/2025 e passou a questionar o Master em 02/04/2025; em 08/04/2025 verificou 47 contratos de 15 pessoas, dos quais 8 existiam; em 29-30/04/2025 o tesoureiro do Master confirmou que parte dos contratos vinha de outra instituição; em 02/05/2025 o nome Tirreno apareceu por escrito; em 05/05/2025 o Master enviou contratos da Tirreno e o BC mostrou que ela não era autorizada a operar como instituição financeira. Em fins de 2024 e ao menos três vezes em jan-fev/2025 o Master pediu ao BRB a devolução de carteiras vendidas, oferecendo substituição.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Segundo documentos da Compliance Zero, o BRB pagou R$ 6,7 bi pelos créditos e R$ 5,5 bi a título de prêmio, entre janeiro e maio de 2025, num conjunto de R$ 12,2 bi de créditos que, segundo indícios do BC, não existiam. Em amostra de 30 clientes o BC não ligou nenhum contrato vendido ao BRB a um pagamento ao tomador; em quatro dias de janeiro de 2025 houve 182 mil operações para 151 mil pessoas concentradas em 12 valores por dia.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
Daniel Vorcaro (2025): Segundo o Metrópoles, Vorcaro teria dito ao STF que o BRB nunca pagou de fato pelas carteiras. Em carta divulgada em 13/10/2026 disse querer falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados.
Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. (set. 2026): A Cartos nega ter originado, estruturado, comercializado, intermediado ou cedido créditos ligados ao caso e diz nunca ter mantido relação com a Tirreno.
Segundo a PF, o BRB transferiu cerca de R$ 17 bi ao Master na compra de carteiras de crédito e cerca de R$ 12,2 bi eram títulos sem valor (CCBs derivadas de consignados inexistentes gerados pela Tirreno). A PF classifica as operações como de finalidade contábil imediata, sem fundamento econômico. O BRB declara que seus ex-dirigentes não devem ser confundidos com a instituição, que se apresenta como vítima, e admite ter comprado carteiras que não podia auditar por falta de documentos.
Documento descrito pela reportagem; íntegra não examinada pelo projeto.
O BRB confirmou prejuízo de R$ 2,6 bi em títulos da Tirreno e provisão total de R$ 8,8 bi; os ativos adquiridos do Master somam R$ 21,9 bi segundo a matéria, e R$ 6,2 bi (diferença entre 8,8 e 2,6) seriam títulos que o BRB considera frágeis, supervalorizados ou com indícios de fraude. Em 09/06/2026 o presidente Nelson de Souza disse na CAE do Senado que o provisionamento funciona como reserva para evitar a quebra e que ao menos R$ 8,8 bi dos R$ 30 bi em títulos comprados do Master podem estar perdidos, dos quais R$ 2,6 bi sem lastro.